O Podcasteiro explica os critérios usados para fazer as indicações podcastais desde o tempo do Gengibre.
Quando comecei a fazer meus comentários falados no Gengibre, precisei definir alguns critérios para gravar. Eu não iria conseguir comentar tudo o que ouço e, afinal, existem podcasts de que não gosto e mesmo dentro daqueles que estão na minha lista no iTunes há episódios que não chamam meu interesse e assim acabo ouvindo-os apenas por alguns minutos e logo os desligo.
Aqueles critérios foram aperfeiçoados e até hoje me guiam aqui no Radiofobia, no meu perfil do Twitter e em meu site próprio.
São eles:
- Edição de som. Não basta simplesmente gravar qualquer coisa, colocar na internet e chamá-la de podcast. Isso os estadunidenses já fazem aos montes. Nós, brasileiros, temos uma forma mais dedicada de tratar nossos podcasts. E um dos diferenciais, apesar de toda a dificuldade que temos em encontrar equipamentos mais ou menos adequados para gravar, é a forma como trabalhamos o som, tanto na gravação bruta quanto no produto final.
Um podcast com muitos ruídos, vozes metalizadas e muita desigualdade de volume de som entre participantes é muito desconfortável de ser ouvido. Por isso evito indicá-lo se tiver esses problemas, por melhor que sejam o tema abordado e/ou os participantes fixos ou convidados.
- Vozes audíveis e entendíveis. Às vezes ouço programas com um atropelamento feroz de vozes, um falando por cima do outro a todo momento. Como nós aqui no Brasil gravamos geralmente pelo Skype e a internet brasileira é inegavelmente um lixo, qualquer que seja a nossa banda larga, então os podcasters acabam arrumando uma forma de “organizar a casa”, seja por sinais no chat do Skype, seja com um pedido de palavra que depois é cortado na edição final etc. Mas quando isso não acontece, fica um emaranhado horrível, irritante e ininteligível de vozes. Isso é fator negativo para qualquer indicação.
- Temas relevantes (em sua maioria). Muita gente gosta de reunir os amigos para bater um papo descontraído estilo “conversa de bar”, gravam essas conversas e transformam-nas em podcasts. É uma prática comum e eu mesmo me divirto bastante ouvindo programas desse formato.
Porém o que realmente me chama a atenção é quando os podcasters fazem um esforço para ir além do mero bate-papo, elegem um tema e se dispõe a discutir seriamente sobre eles, mesmo que não sejam especialistas sobre o assunto. Quando isso acontece, e os dois itens acima foram cumpridos, então esse podcast está a caminho de uma indicação minha.
- Bom humor e descontração. Nem era preciso definir isso como critério. Qualquer conversa desprovida de bom humor fica entediante, dispersiva e chata! Eu pelo menos tenho esse problema de não prestar atenção quando alguém fala com mau humor. Descontração também é muito importante numa gravação.
Não é frequente, mas às vezes escuto alguns participantes de podcasts que são obstinados em se afirmarem como os donos de suas verdades, armam obstáculos enormes em aceitar a opinião de seus colegas e se irritam por qualquer coisa. Tenho dificuldade para entender se ali existe um personagem ou se é a real personalidade de quem está falando. De qualquer forma, isso é ponto negativo e desligo o programa sem hesitar.
- Português aceitável. A nossa língua não é fácil. É maravilhosa, sonora, melodiosa, mas está longe de ser um idioma de regras fáceis. Por isso todos nós erramos, por melhores que sejamos com o idioma; um escorregão ou outro sempre passa despercebido. Dependendo das tantas situações em que nos encontramos isso pode ou não ser perdoável.
Mas não dá para aguentar maus tratos como “a gente vamos falar agora”, “nós tem que ir para os comentários”, “vamos estar comentando”, “vou estar falando agora” e outros tantos disparates que poderiam ser evitados com um pouquinho mais de cuidado.
Fui instrutor de português para estrangeiros e tradutor técnico por quase 20 anos. Identifico imediatamente quando alguém respeita a norma culta de nosso idioma. Mas quando se trata de podcasts sou muito mais flexível: apenas observo se a nossa língua está sendo tratada com respeito, ainda que com possíveis “irregularidades”.
- Regularidade de publicação dos episódios. Isso é um dos critérios de “desempate” que uso quando tenho mais de um podcast para indicar e fico em dúvida sobre qual deles falar. Entendo bem o problema da regularidade; uma vez que se assume um compromisso com as pessoas, isso deve ser mantido com rigor. Entretanto, nem sempre é possível, por causa de uns tantos fatores externos.
Para começar, a maioria não faz podcasts profissionalmente, ou seja, não obtém renda que permita uma vida pessoal e profissional decente por conta de seus episódios lançados semanal, quinzenal ou mensalmente. Se assim fosse, talvez os podcasters teriam um compromisso também com o bolso além de estarem ligados aos seus ouvintes.
Não é o caso. Pelo que vejo, o clã dos podcasters brasileiros faz a coisa porque realmente gosta, sem almejar muito a consequência financeira (pelo menos no início).
A regularidade é, portanto, sinônimo de que estão mesmo se dedicando e permitindo que nós, ouvintes, tenhamos um encontro com eles e comecemos a nos interagir com seus podcasts. Quando isso acontece, fico muito animado a indicá-los. Mas a falta de regularidade não é, de forma nenhuma, um empecilho para a indicação.
- Atenção que os podcasters dão aos seus ouvintes. Para mim, esse é um dos mais importantes critérios de desempate. O podcast pode ser bom, ter uma edição de som fantástica, tratar de temas relevantíssimos, mas se não der atenção ao ouvinte então não será indicado (pelo menos não por mim).
Sempre ouço podcasters pedindo comentários, o que é justo, pois as palavras de um ouvinte é um tesouro, qualquer que seja o conteúdo e seu tamanho. Um comentário é a indicação de que o podcast está sendo ouvindo e teve alguma influência no ouvinte que o levou a ir até o site e gastar alguns minutos para escrever alguma coisa.
E todo ouvinte que faz isso QUER ter a certeza de que ele foi lido. Só o fato de ter seu nome mencionado numa seção à parte de e-mails e comentários já o faz mais ligado ao podcast e pode-se ter a certeza de que ele vai se tornar um “ouvinte fiel”.
Mas quando vejo podcasts que pedem comentários e não mencionam seus ouvintes em seus programas, faz-me pensar seriamente em não indicá-lo até que mude de postura com relação a seus ouvintes.
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Em 3 de março de 2011, uma quarta-feira, Leo Lopes e eu conversamos com os ouvintes pelo Ustream num bate-papo descontraído sobre a estreia do Podcasteiro no Radiofobia. Naquela ocasião, acabamos falando sobre a produção de podcasts e ele enfatizou três pontos importantes de uma boa gravação:
1. Ambiência. Significa criar um ambiente com músicas e sons que tenham a ver com o assunto tratado. O ouvinte é atingido em cheio com músicas que tenham alguma ligação ou conotação com os assuntos e o próprio tema fica muito melhor de ser abordado com isso. Já pensou o que seria falar de carnaval com músicas clássicas ao fundo?
2. Individualidade. O Leo fez o seguinte comentário quando abordou esse ponto: “Quem escuta podcast em grupo? Ninguém. Então porque tratar o ouvinte como ‘galera’. O ouvinte está sozinho com seu mp3 player, então a gente tem que se dirigir a ele como ‘você’, individualmente, e vai se sentir como se estivéssemos conversando pessoalmente com ele.”
É uma verdade! Posso afirmar isso, porque na rádio é exatamente assim que nos comportamos e tratamos nossos ouvintes: individualmente.
É claro que não condeno quem trata o ouvinte como “galera”, ou “pessoal”, nem isso é empecilho para uma indicação futura, mas é realmente bacana quando abro um podcast para ouvir e ele se dirige a mim individualmente. Fica a dica.
3. Preenchimento. Não é horrível quando estamos ouvindo um programa e de repente há uma pausa longa, completamente silenciosa, para depois continuarem a conversa como se nada tivesse acontecido? Pausas em qualquer conversa é normal, mas num programa de rádio ou num podcast elas precisam ser preenchidas com algum som.
Quando observo pausas de mais ou menos 2 segundos nas gravações, considero isso como erro de edição. Há que se prestar um pouco mais de cuidado com isso.
Não é porque os podcasts lá daquele país são assim desajeitados que os nossos também podem. Não podem e ponto!
O Leo é radialista profissional e eu também já tive minhas andanças pela rádio de uma forma mais empírica. Contudo, você poderá notar que eu também sigo esses parâmetros desde os meus antigos comentários no Gengibre. Eles agora também fazem parte de meus critérios de avaliação “podcastal”, porém não vou tê-los como rígidos, pelo menos por enquanto.
Para concluir, preciso esclarecer duas coisas muito importantes:
A primeira é que eu não sou especialista em podcasts! Na minha opinião, há quatro especialistas a quem presto minhas reverências: Eduardo Salles Filho, Gustavo Guanabara, Leo Lopes e Pablo de Assis. Se você quer ouvir alguma coisa de real relevância sobre a criação, edição e publicação de podcasts, então recorra a essas quatro figuras do clã.
E a segunda é que, apesar de todos os meus critérios aí em cima, se ainda assim eu gostar do podcast, então vou indicar, mas vou falar dos erros cometidos no ar. Tudo bem para você? Se estiver, então é só seguirmos em frente!
Porque, na verdade, eu sou apenas um fã de podcasts e um ouvinte como você!
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Comentários
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Indicação do Podcasteiro #9: JurassiCast









































