Neste episódio 024 os textos de Sidnei Maschio reunidos numa coletânea chamada “Vivência e Sabedência” nos levam a uma deliciosa viagem sertaneja. Aquele lado caipira que mesmo os que não são do interior conseguem sentir.

E por isso convidamos a todos para ouvir…

Se você tem algo escrito de sua autoria ou de alguém que concorde que seja publicado aqui, envie para o e-mail: podcasttextosentido@gmail.com.

 

Vivência e Sabedência

– Quando eu tiver descansado da obrigação, depois dessa viagem, eu vou passar uma tarde inteira sentado na beira do ribeirão, com o pé dentro d’água,
pensando bestagem, guardando pouca mágoa e nenhuma dor no coração.
Eu tô levando a lida com muito rigor e isso é bobagem, eu quero ter menos compromisso com o serviço pra poder dar mais valor à liberdade,
não quero ver a vida perder o viço enquanto eu fico escravo da saudade.

– Na carreira do marruá eu comecei cantando o á e fui até o zê, e se alguém não quiser escutar, de qualquer maneira eu vou dizer,
que no braço do meu pinho e na força do meu laço eu corri o sertão inteiro sozinho, domando pagão cavorteiro e quebrando violeiro desafinado,
e se mais não faço é porque eu tô cansado de ser verdadeiro e cantar a honestidade nesses campos e cidades onde manda o dinheiro, que só é parceiro da falsidade.

– Eu não tenho em mente planos de ser dono de gado e gente, nem alimento o desejo enganoso de ser poderoso a qualquer preço, o meu apreço é pela amizade e eu gosto de viver com humildade.
Mas não sou cavalo que se assusta com o estalo do chicote, e pro dono da mão que maneja o facão da opressão eu respondo com a alegria e a leveza da minha poesia,
na certeza de que um dia o cipó vai virar no lombo de quem mandou me chicotear.

– Eu fui boiadeiro afamado e festejado neste sertão brasileiro, mas desamontei e a minha coroa de rei eu deixei abandonada no galho de um angiqueiro na beira da estrada.
Larguei mão desse serviço porque eu vi que nessa lida a minha vida tava perdendo o viço, e quando eu já não sabia mais se eu era o patrão ou se fazia parte da boiada
eu resolvi fazer parada pra campear outro rumo e pôr de novo meu coração no prumo.

Sidnei Maschio

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